Índice de Confiança do Empresário do Comércio registra queda de 6,1% em janeiro e permanece abaixo da linha de neutralidade

Por Karol Peralta
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de Campo Grande iniciou 2026 em queda significativa, refletindo um cenário de menor otimismo entre os empresários da capital diante do patamar elevado da taxa básica de juros. Em janeiro, o indicador ficou em 91,9 pontos, abaixo da linha de neutralidade de 100 pontos, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS (IPF-MS).
Confiança recua na comparação mensal e anual
Na comparação com dezembro de 2025, quando o índice já se encontrava em território negativo, o ICEC em Campo Grande apresentou retração de 6,1%, interrompendo a trajetória de recuperação observada no segundo semestre do ano passado. Em relação a janeiro de 2025, a queda é ainda mais expressiva, chegando a 12,3%, o que evidencia um ambiente mais desafiador para o comércio no início deste ano.
Entre os componentes do índice, o Indicador de Contratação de Funcionários foi o que registrou a maior queda mensal, com recuo de 10,6%, sinalizando maior cautela dos empresários quanto à ampliação do quadro de colaboradores.
Juros altos pressionam consumo e investimentos
De acordo com a economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira, o desempenho do índice reflete diretamente o impacto do ciclo de alta da taxa Selic sobre o comércio. “Na comparação mensal, as empresas que operam com bens semiduráveis e não duráveis foram as que mais apresentaram queda na confiança. Já na análise anual, os segmentos de bens duráveis, como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos, registraram retrações mais acentuadas”, explica.
Esses segmentos são mais sensíveis ao crédito, que se torna mais caro em um cenário de juros elevados, reduzindo o consumo de produtos de maior valor agregado e desestimulando novos investimentos.
Avaliação negativa do cenário econômico atual
O levantamento aponta que o principal fator de pressão sobre o índice vem da avaliação das condições atuais da economia. O Indicador de Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) marcou apenas 57,5 pontos, patamar considerado bastante negativo.
Dentro desse componente, a avaliação da economia brasileira registrou 39,5 pontos. Mais de 86% dos empresários entrevistados afirmaram que a situação econômica “piorou um pouco” ou “piorou muito”. Também é majoritária a percepção de piora nas condições do setor e no desempenho das próprias empresas.
Expectativas permanecem positivas apesar do cenário adverso
Apesar do pessimismo em relação ao momento atual, a pesquisa revela sinais de resiliência. O Índice de Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) permanece elevado, em 122,9 pontos, indicando que parte significativa dos empresários acredita em melhora nos próximos meses.
Quando projetam o futuro de seus próprios negócios, o otimismo é ainda mais evidente: o indicador de expectativas para a empresa atingiu 141,7 pontos, e mais de 76% dos entrevistados demonstraram confiança em um cenário mais favorável ao longo do ano.
Comércio inicia o ano em clima de cautela
O ICEC de janeiro de 2026 aponta para um início de ano marcado pela cautela no comércio de Campo Grande. Empresários demonstram insatisfação com o cenário atual, pressionados pelos juros altos e pela desaceleração econômica, mas mantêm expectativas positivas quanto a uma possível recuperação, condicionada à melhora do ambiente macroeconômico e do poder de consumo da população.





