Extravasamento na mina Viga atingiu o rio Maranhão e levou governo federal a acionar a Agência Nacional de Mineração

Por Karol Peralta
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enviou nesta segunda-feira (26) um ofício à Agência Nacional de Mineração cobrando uma solução imediata e efetiva para o vazamento de água em mina da Vale, registrado na mina Viga, em Congonhas. O extravasamento atingiu o Rio Maranhão e provocou impactos ambientais, segundo a prefeitura, sem registro de vítimas.
Governo federal cobra medidas e não descarta interdição
No documento encaminhado à ANM, o ministro afirmou que a resposta ao episódio deve ser imediata e mencionou a possibilidade de interdição da operação, caso seja necessário para garantir a segurança das comunidades locais e a proteção do meio ambiente.
Silveira também determinou a abertura de processo para apuração de responsabilidades e o acionamento de órgãos federais, estaduais e municipais para fiscalização e eventual penalização da empresa.
Segundo ofício em menos de 24 horas
Este é o segundo ofício enviado pelo ministro à Agência Nacional de Mineração em menos de um dia. No domingo (25), outro extravasamento de água com sedimentos foi registrado em uma cava da mina de Fábrica, também operada pela Vale, localizada entre Ouro Preto e Congonhas.
Nesse caso, o material ultrapassou o dique Freitas e carreou sedimentos e rejeitos de mineração, provocando danos ambientais. Segundo a prefeitura de Congonhas, houve o vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
Danos atingiram áreas da CSN
A prefeitura de Ouro Preto informou que a ocorrência aconteceu em área rural, afastada do centro histórico e pouco populosa. Apesar disso, o extravasamento atingiu estruturas da CSN.
De acordo com a empresa, o alagamento ocorreu em áreas da unidade Pires, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque, resultando em danos materiais.
Ministério Público acompanha o caso
O Ministério Público de Minas Gerais instaurou procedimento para apurar o extravasamento ocorrido na mina de Fábrica. O órgão informou que solicitou informações às defesas civis estadual e municipais e que uma equipe do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais realizou vistoria no local, com elaboração de relatório preliminar.
O que diz a Vale
Em comunicado ao mercado, a Vale afirmou que os extravasamentos registrados em Congonhas e Ouro Preto foram contidos. A empresa declarou que não houve feridos nem comunidades atingidas e que os episódios não têm relação com barragens da mineradora na região.
Segundo a companhia, não houve carreamento de rejeitos, apenas água com sedimentos, e as causas dos vazamentos seguem em apuração.





