Primeiras liberações permitem fabricação do combustível vegetal no Rio Grande do Sul e abrem caminho para nova etapa da matriz energética brasileira

Por Karol Peralta
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu nesta segunda-feira (26) as primeiras autorizações para a produção e comercialização do Bio-GL, combustível produzido a partir de matéria-prima vegetal, sem uso de petróleo, e considerado o equivalente 100% renovável do gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha.
As autorizações foram concedidas à Refinaria de Petróleo Riograndense, localizada em Rio Grande (RS), que passa a ser reconhecida como a primeira biorrefinaria do Brasil autorizada a produzir e vender o novo biocombustível em escala contínua.
De acordo com a ANP, a autorização de produção foi formalizada por meio de despacho publicado no Diário Oficial da União, com base na Resolução ANP nº 852/2021, que passou a permitir o processamento de matéria-prima 100% renovável. Já a autorização específica para comercialização do Bio-GL foi aprovada pela diretoria da agência reguladora em reunião realizada nesta segunda-feira.
Antes da liberação oficial, a refinaria realizou testes industriais supervisionados pela ANP, utilizando tecnologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), vinculado à Petrobras. Segundo os resultados apresentados, o Bio-GL atende às exigências técnicas e de qualidade do GLP convencional.
Os testes indicaram ainda que o novo combustível pode ser utilizado sem necessidade de adaptação em equipamentos domésticos, como fogões e aquecedores, o que permite sua inserção direta no consumo residencial.
Redução de emissões e uso da infraestrutura existente
Entre os principais diferenciais do Bio-GL estão os benefícios ambientais. O biocombustível tem potencial para reduzir entre 65% e 70% as emissões de CO₂ em comparação aos combustíveis fósseis, contribuindo para as metas brasileiras de redução de gases de efeito estufa até 2050.
Outro ponto destacado é que o reconhecimento do Bio-GL como equivalente ao GLP tradicional permite sua comercialização e distribuição pelas redes já existentes, sem necessidade de criação de uma nova infraestrutura logística.
A autorização concedida pela ANP é considerada um marco regulatório para o setor de energias renováveis, ao ampliar a participação de fontes limpas na matriz energética nacional, fortalecer a segurança de abastecimento e alinhar o Brasil a práticas adotadas em mercados internacionais voltados à transição energética.





