Alta nas compras de insumos reforça confiança do setor agrícola e acompanha avanço das exportações de grãos, aponta boletim da Conab

Por Karol Peralta
As importações brasileiras de fertilizantes atingiram 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o volume registrado no ano anterior e estabelecendo um novo recorde da série histórica, segundo dados do Boletim Logístico | Ano IX – janeiro/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O crescimento em relação a 2024, quando o país importou 44,28 milhões de toneladas, representa um aumento de 1,22 milhão de toneladas (+2,68%). O desempenho indica maior confiança dos produtores rurais, que ampliaram a aquisição de insumos diante da expectativa de expansão da área plantada e aumento da produtividade das lavouras.
Ao longo de 2025, o avanço nas compras já sinalizava um cenário positivo para a agricultura nacional. Estados como Mato Grosso, Paraná e São Paulo lideraram o consumo de fertilizantes, reforçando o protagonismo dessas unidades da federação na produção agrícola brasileira.
Portos concentram entrada dos fertilizantes importados
A entrada dos fertilizantes pelos principais terminais portuários do país evidencia a solidez da cadeia logística do agronegócio. Somados, os volumes recebidos pelos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e pelo Arco Norte totalizaram 45,50 milhões de toneladas em 2025.
O Porto de Paranaguá manteve-se como o principal canal de entrada dos fertilizantes importados, com 10,89 milhões de toneladas, volume próximo ao registrado em 2024, quando foram movimentadas 11,04 milhões de toneladas. Já os portos do Arco Norte apresentaram crescimento, alcançando 8,27 milhões de toneladas, acima das 7,5 milhões do ano anterior.
No Porto de Santos, foram internalizadas 8,42 milhões de toneladas, frente a 8,88 milhões em 2024, o que representa uma queda de 5,18% na movimentação de fertilizantes pelo terminal paulista.
Exportações agrícolas crescem e reforçam logística
Além do aumento nas importações de insumos, o boletim aponta crescimento nas exportações brasileiras de milho, soja e farelo de soja em 2025. O volume total embarcado das três commodities alcançou 172,3 milhões de toneladas, alta de 6,21% em relação a 2024.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos portos de Paranaguá e do Arco Norte, além do protagonismo dos estados de Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul na origem das cargas.
As exportações de milho em grãos somaram 40,9 milhões de toneladas, acima das 39,7 milhões do ano anterior. O Porto de Paranaguá ampliou de forma expressiva sua participação, passando de 3,1% para 12,3% dos embarques.
Já as exportações de soja em grãos atingiram 108,1 milhões de toneladas até dezembro de 2025, superando as 98,8 milhões registradas em 2024. O Arco Norte respondeu por 36,2% dos embarques nacionais, enquanto o Porto de Santos concentrou 32%.
No caso do farelo de soja, os embarques totalizaram 23,3 milhões de toneladas, levemente acima do volume do ano anterior. O Porto de Santos manteve a liderança, com 43,2% do total exportado.
Mercado de fretes e perspectiva para 2026
O mercado de fretes rodoviários apresentou comportamento heterogêneo em dezembro, com predominância de estabilidade nas cotações, embora com ajustes pontuais conforme demanda, estoques e custos operacionais, especialmente do diesel.
Em estados como Mato Grosso, os fretes permaneceram em patamar elevado na comparação anual, sustentados por estoques altos, safra recorde e expectativa de intensificação da colheita da soja. Para 2026, a Conab projeta aquecimento gradual do mercado de fretes, com possível pressão altista a partir de fevereiro, acompanhando o avanço da colheita e do escoamento da produção agrícola.





