Mesmo com queda de 20,8% nas sacas exportadas, alta dos preços fez faturamento alcançar US$ 15,5 bilhões, maior valor desde 1990

Por Karol Peralta
O Brasil exportou 40,04 milhões de sacas de café em 2025, volume 20,8% menor do que o registrado em 2024. Apesar da retração nos embarques, a receita das exportações de café alcançou US$ 15,586 bilhões, um recorde histórico, impulsionado pela valorização do produto no mercado internacional.
Receita é a maior da série histórica
Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e mostram que o faturamento de 2025 é o maior desde 1990, início da série histórica da entidade. Ao longo do ano, os cafés brasileiros chegaram a 121 países, consolidando o país como o maior exportador global do produto.
Segundo o Cecafé, o desempenho financeiro reflete a elevação dos preços médios internacionais e os investimentos contínuos em qualidade, tecnologia e inovação realizados pelos cafeicultores brasileiros.
Clima, estoques e tarifas influenciaram o volume
A redução no número de sacas exportadas já era esperada pelo setor. O volume recorde embarcado em 2024 reduziu os estoques nacionais, enquanto a safra de 2025 sofreu impactos climáticos, limitando a disponibilidade do produto.
Outro fator decisivo foi o chamado tarifaço dos Estados Unidos, que impôs taxas de 50% sobre o café brasileiro durante quase quatro meses, entre agosto e novembro. Nesse período, os embarques para o mercado norte-americano recuaram 55%, afetando diretamente o desempenho anual.
Alemanha lidera compras de café brasileiro
Em 2025, a Alemanha assumiu a liderança entre os maiores compradores do café brasileiro, com 5,4 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total exportado, apesar de uma queda de 28,8% em relação ao ano anterior.
Os Estados Unidos, tradicionalmente na primeira posição, ficaram em segundo lugar, com 5,3 milhões de sacas importadas, representando 13,4% dos embarques, e retração de 33,9% na comparação anual.
Café arábica domina exportações
Entre os tipos de café exportados, o café arábica manteve ampla liderança, com 32,3 milhões de sacas, correspondendo a 80,7% do total embarcado em 2025.
Na sequência aparecem o café canéfora (conilon e robusta), com 3,9 milhões de sacas (10%), o café solúvel, com 3,6 milhões de sacas (9,2%), e o café torrado e torrado e moído, que somou 58.474 sacas, participação residual de 0,1%.





