SEU ANÚNCIO AQUI E AGORA!

TODO ESSE ESPAÇO PODE SER SEU!

População em situação de rua cresce no Brasil e ultrapassa 365 mil pessoas

Sudeste concentra maioria dos casos; ausência de políticas estruturantes e precarização da vida explicam avanço, aponta estudo

Por Karol Peralta

O número de pessoas em situação de rua no Brasil segue em trajetória de crescimento e já alcança 365.822 pessoas, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais. Os dados evidenciam o agravamento da vulnerabilidade social no país, mesmo após a redução dos índices mais críticos da pandemia.

O estudo tem como base informações do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), banco de dados do governo federal que reúne famílias de baixa renda e é utilizado como referência para a formulação de políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, além da definição de repasses aos municípios.

Crescimento após a pandemia

Entre 2020 e 2021, período marcado pelo início da pandemia da covid-19, o número de pessoas vivendo nas ruas chegou a cair, passando de 194.824 para 158.191. No entanto, a partir de 2022, a curva voltou a subir e mantém crescimento contínuo até o final de 2024.

Para os pesquisadores do observatório, quatro fatores ajudam a explicar o avanço da população em situação de rua:

  • fortalecimento do CadÚnico como principal instrumento de registro dessa população;
  • ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação;
  • precarização das condições de vida no pós-pandemia;
  • emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Sudeste concentra maioria dos casos

A pesquisa mostra que a Região Sudeste concentra 61% do total, com 222.311 pessoas em situação de rua. Em seguida aparece a Região Nordeste, com 54.801 pessoas nessa condição.

O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 150.958 pessoas vivendo nas ruas, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). No outro extremo, o Amapá registra o menor número, com 292 pessoas.

Fome, desemprego e custo de vida

Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, avalia que o aumento está ligado a fatores econômicos e sociais persistentes.

Segundo ele, mesmo com avanços no combate à insegurança alimentar grave, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para se alimentar. “Existem pessoas que não conseguem comer porque precisam pagar aluguel ou comprar remédios. A conta simplesmente não fecha”, afirmou.

Mendonça também destaca o impacto do alto custo de medicamentos e da renda insuficiente. “Como alguém consegue pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos?”, questiona.

Tecnologia e exclusão do mercado de trabalho

Outro ponto levantado é o avanço tecnológico, que dificulta a reinserção profissional de quem não teve acesso à qualificação. “As pessoas não passam por reciclagem para se aperfeiçoar e acabam ficando ainda mais distantes do mercado de trabalho”, observa.

Para ele, a solução passa por capacitação profissional, combate ao preconceito e políticas efetivas de moradia e emprego. “A população de rua precisa ser vista como cidadão desempregado, que precisa de oportunidade, e não como um problema a ser isolado”, defende.

Ações do poder público

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo informou que tem atuado de forma integrada com os municípios. Desde o início da atual gestão, foram repassados R$ 633 milhões às prefeituras, sendo R$ 145,6 milhões destinados exclusivamente a ações voltadas à população em situação de rua.

Entre as medidas citadas estão a ampliação do programa Bom Prato, com 24 novas unidades, e do Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, voltado a pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas.

Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se manifestou sobre os dados do levantamento.

Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

contato@mspantanalnews.com.br