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Endividamento avança e atinge quase 7 em cada 10 famílias em Campo Grande

Cartão de crédito lidera dívidas e inadimplência segue elevada, aponta pesquisa da CNC

Por Karol Peralta

O endividamento das famílias em Campo Grande avançou de forma consistente ao longo de 2025 e atingiu 68,6% dos lares em dezembro, o equivalente a quase sete em cada dez famílias na capital. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS, e revelam maior pressão sobre o orçamento doméstico no encerramento do ano.

Em números absolutos, o percentual representa 226.248 famílias endividadas, crescimento de quase 14 mil lares em relação a novembro. O índice é o mais alto desde dezembro de 2024, quando o endividamento estava em 65%, confirmando a tendência de alta ao longo do ano.

Cartão de crédito segue como principal fonte de dívida

Entre os tipos de endividamento, o cartão de crédito permanece como o principal vilão, presente em 66,5% dos lares endividados. O dado reforça a dependência das famílias do crédito rotativo e parcelado para cobrir despesas correntes, em um cenário ainda marcado por juros elevados.

Na sequência aparecem os carnês (20,2%), financiamento de veículos (10,8%), crédito pessoal (10,7%) e financiamento imobiliário (10,5%). O conjunto indica que, além do consumo imediato, compromissos de médio e longo prazo continuam pressionando a renda familiar.

Inadimplência permanece elevada e com perfil prolongado

A pesquisa também mostra que 29,4% das famílias possuem contas em atraso, o equivalente a cerca de 97 mil lares. Embora o percentual tenha apresentado leve recuo em relação a novembro, o perfil da inadimplência preocupa: 51,8% dos inadimplentes acumulam atrasos superiores a 90 dias, caracterizando uma inadimplência crônica.

A média de atraso é de 70 dias, sinalizando dificuldades estruturais para a regularização das dívidas, especialmente entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, faixa que concentra os maiores níveis de vulnerabilidade financeira.

Cresce o número de famílias sem condições de pagamento

Outro dado de alerta é que 13,7% das famílias afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso, o que representa 45.061 lares em situação financeira crítica. Apesar de leve queda em relação a novembro, o percentual permanece acima do registrado em dezembro de 2024, indicando deterioração gradual da capacidade de pagamento.

Entre os inadimplentes, 46,4% afirmam que não conseguirão quitar os débitos nem parcialmente no curto prazo, o que amplia o risco de exclusão do mercado de crédito e agravamento do endividamento no início de 2026.

Comprometimento da renda limita consumo

O comprometimento da renda com dívidas também se mantém elevado. Mais da metade das famílias endividadas (51,4%) destina entre 11% e 50% da renda mensal ao pagamento de dívidas, enquanto 13,6% comprometem mais da metade do orçamento familiar. O comprometimento médio é de 29,8% da renda, patamar considerado alto sob a ótica econômica.

Esse cenário impacta diretamente o consumo, sobretudo de bens duráveis, e contribui para a desaceleração da economia local, conforme destaca o relatório.

Perfil das dívidas varia conforme a renda

A pesquisa aponta diferenças importantes no perfil do endividamento conforme a renda familiar. Entre famílias com até 10 salários mínimos, há maior concentração de dívidas em carnês (21,7%), modalidade comum no varejo e geralmente associada a custos mais elevados.

Já entre famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o endividamento está mais ligado a financiamentos de maior valor, como veículos, presentes em 19,6% dos lares, contra 9,1% nas famílias de menor renda. O cartão de crédito lidera em todas as faixas, com maior incidência entre rendas mais altas.

Para a economista Regiane Dedé de Oliveira, os dados mostram desafios distintos. Segundo ela, famílias de menor renda recorrem a instrumentos mais imediatos, enquanto as de maior renda acessam crédito estruturado, o que exige estratégias de educação financeira adaptadas a cada realidade.

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