Programa oferece juros menores para caminhoneiros e empresas e condiciona financiamento a critérios ambientais e de conteúdo nacional

Por Karol Peralta
O Governo do Brasil lançou nesta quinta-feira (8) o Move Brasil, programa que busca acelerar a renovação da frota brasileira de caminhões por meio de financiamento com juros reduzidos, priorizando eficiência, segurança e sustentabilidade. A iniciativa disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito, com foco em caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas.
Crédito e público-alvo
Do total anunciado, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. As linhas serão operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com recursos do Tesouro Nacional e do próprio banco. O objetivo é substituir veículos antigos por modelos mais seguros e menos poluentes, reduzindo custos operacionais e impactos ambientais.
Regras financeiras
As condições definidas pelo Conselho Monetário Nacional preveem financiamento de até R$ 50 milhões por beneficiário, prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses. As taxas anuais variam entre 13% e 14%, conforme o risco do tomador, já com custos financeiros e spread. As operações podem contar com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), com garantia de até 80% do valor financiado.
Conteúdo local e sustentabilidade
O programa condiciona o crédito a critérios de sustentabilidade e conteúdo nacional, alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB). Caminhões novos devem ser fabricados no país e atender à fase P8 do PROCONVE (padrões de emissões). Já os seminovos precisam cumprir, no mínimo, a fase P7, ter fabricação a partir de 2012 e comprovar rastreabilidade fiscal e conteúdo local — estes últimos restritos a autônomos e cooperados.
Contrapartida: desmonte do veículo antigo
Para acessar as condições especiais, o beneficiário deve entregar um veículo antigo para desmonte. O caminhão a ser baixado precisa estar em condições de rodagem, com licenciamento regular (2024 ou posterior) e mais de 20 anos desde o primeiro emplacamento. O processo inclui baixa definitiva no órgão de trânsito e comprovação junto à instituição financeira em até 180 dias.
Indústria, emprego e saúde pública
Ao retirar caminhões antigos de circulação, o programa tende a reduzir emissões, melhorar a segurança viária e estimular a indústria nacional. Segundo o vice-presidente e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a medida combina ganhos ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que preserva empregos e moderniza a logística.





