Avião venezuelano chega a Guarulhos para recolher medicamentos reunidos com apoio do SUS e de hospitais públicos e filantrópicos

Por Karol Peralta
Um avião venezuelano deve pousar na manhã desta sexta-feira (9) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, para recolher 40 toneladas de insumos médicos destinados à manutenção do tratamento de hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. A ação integra uma mobilização humanitária coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), com apoio do governo do Brasil.
Insumos médicos reunidos com apoio do SUS
Entre os materiais enviados estão medicamentos, soluções fisiológicas e outros produtos essenciais para o tratamento de pacientes renais crônicos. Os insumos foram reunidos pelo governo brasileiro com a colaboração de hospitais universitários federais públicos e de hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao todo, a mobilização humanitária já arrecadou 300 toneladas de produtos, que serão destinados à população venezuelana dependente do tratamento contínuo de hemodiálise.
Solidariedade sanitária e impacto regional
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa está baseada no princípio da “solidariedade sanitária”, especialmente entre países vizinhos. O ministro ressaltou que a cooperação busca evitar um colapso no atendimento de pacientes renais na Venezuela, o que poderia gerar impactos diretos em toda a região.
Padilha também lembrou o envio de oxigênio medicinal pela Venezuela ao Brasil durante a pandemia de Covid-19, quando hospitais de Manaus enfrentaram escassez do insumo. De acordo com o Ministério da Saúde, as doações não comprometem o atendimento de cerca de 170 mil brasileiros que realizam hemodiálise pelo SUS.
Equipes de saúde mobilizadas na fronteira
Além do envio dos insumos, o governo do Brasil mobilizou equipes da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar estruturas de saúde, disponibilidade de vacinas, profissionais e estoques de medicamentos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. A ação conta com apoio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e de equipes de Saúde Indígena, com o objetivo de reduzir impactos no sistema de saúde brasileiro.
Operação Acolhida e reforço no atendimento
Desde 2025, a Operação Acolhida passou a ser totalmente coordenada pelo Ministério da Saúde, após a suspensão do financiamento de agências internacionais pelos Estados Unidos. Com a implantação do projeto Saúde nas Fronteiras, equipes multiprofissionais atuam nos abrigos de Pacaraima e Boa Vista, realizando atendimento médico, vacinação, acompanhamento nutricional e apoio psicossocial a migrantes.
Até dezembro, foram investidos aproximadamente R$ 900 mil em equipes e insumos para garantir assistência contínua nos pontos de acolhimento.





