Declarações do presidente dos EUA provocam reação de líderes europeus e latino-americanos e elevam a tensão geopolítica internacional

Por Karol Peralta
Um dia após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a retirada forçada do presidente Nicolás Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump ampliou o tom de confrontação internacional ao ameaçar anexar a Groenlândia e sugerir uma ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro. As declarações provocaram reações imediatas de governos europeus e latino-americanos.
As novas ameaças foram feitas no domingo (4) e recaem sobre a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca. Em resposta, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que os Estados Unidos não têm qualquer direito de anexar territórios do Reino da Dinamarca.
Frederiksen destacou que a Dinamarca integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e lembrou que o país já mantém acordos de defesa com os EUA, inclusive com acesso militar norte-americano à Groenlândia. Ainda assim, fez um apelo para que Washington cesse as ameaças contra aliados históricos.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, classificou a postura de Trump como inaceitável e disse que o território “não é objeto de retórica de superpotência”.
Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que os EUA “precisam da Groenlândia para a segurança nacional”, citando a presença de navios russos e chineses na região do Ártico. As ameaças de anexação, segundo o próprio presidente, vêm desde o início de seu novo mandato, em janeiro de 2025.
A retórica foi rejeitada por outros líderes europeus. Governantes da Finlândia, Noruega e Suécia manifestaram apoio à Dinamarca. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir o futuro do território.
Ameaças à Colômbia
Além da Groenlândia, Trump sugeriu uma ação militar contra a Colômbia, governada pelo presidente Gustavo Petro. Em declarações a jornalistas, o presidente dos EUA afirmou que o país estaria “mal administrado” e associou o governo colombiano ao tráfico de drogas, o que foi prontamente rechaçado por Petro.
O presidente colombiano negou as acusações e declarou que não é traficante nem ilegítimo, destacando a transparência de sua vida financeira. Petro afirmou ainda confiar na população colombiana para defender a soberania nacional diante de qualquer tentativa de intervenção externa.
Cenário de tensão
As declarações de Trump ocorrem em um contexto de crescentes tensões geopolíticas, após a ofensiva dos EUA contra a Venezuela, e levantam preocupações sobre estabilidade internacional, respeito à soberania e o papel das instituições multilaterais. Especialistas avaliam que a escalada verbal e política amplia a incerteza nas relações entre os Estados Unidos, a Europa e a América Latina.





