Taxa recorde vem acompanhada de aumento da ocupação, avanço do emprego formal e rendimento médio no maior patamar já registrado

Por Karol Peralta
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta terça-feira dados da PNAD Contínua que mostram um novo recorde positivo no mercado de trabalho brasileiro. No trimestre encerrado em novembro de 2025, a taxa de desemprego caiu para 5,2%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012, consolidando uma sequência de mínimas históricas observadas desde meados do ano.
De acordo com o levantamento, o país registrou 5,644 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já observado pela pesquisa. O dado contrasta com o pico histórico registrado no trimestre encerrado em março de 2021, durante o auge da pandemia de COVID-19, quando o número de desempregados chegou a 14,979 milhões.
A queda da desocupação ocorreu em paralelo a um novo recorde no número de pessoas ocupadas no Brasil. Ao todo, 103,2 milhões de brasileiros estavam trabalhando, elevando o nível de ocupação para 59% da população com 14 anos ou mais, o maior percentual da série histórica. Na comparação trimestral, a população ocupada cresceu 0,6%, o equivalente a mais 601 mil pessoas, enquanto no acumulado de 12 meses o avanço foi de 1,1 milhão de trabalhadores.
Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, a manutenção do emprego em patamar elevado ao longo de 2025 reduziu a pressão por busca de trabalho. “Esse movimento tem contribuído diretamente para a queda consistente da taxa de desocupação”, avaliou.
Setores que puxaram o emprego
Entre os grupamentos de atividade, o destaque no trimestre ficou para Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou crescimento de 2,6%, com 492 mil pessoas ocupadas a mais. Os demais setores permaneceram estáveis no período.
Na comparação anual, houve expansão em Transporte, armazenagem e correio, com alta de 3,9% (mais 222 mil trabalhadores), e novamente em Administração pública, educação e saúde, que cresceu 5,6%, incorporando cerca de 1 milhão de pessoas. Já o grupamento de Serviços domésticos apresentou retração de 6%, o que representa menos 357 mil trabalhadores.
Informalidade recua e carteira assinada bate recorde
A taxa de informalidade caiu para 37,7% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores informais, abaixo dos percentuais registrados tanto no trimestre anterior quanto no mesmo período de 2024.
O recuo da informalidade foi influenciado pelo avanço do emprego com carteira assinada, que atingiu 39,4 milhões de trabalhadores, o maior número da série histórica. O contingente se manteve estável no trimestre, mas cresceu 2,6% em um ano, com acréscimo de mais de 1 milhão de vínculos formais.
Rendimento médio atinge novo recorde
O rendimento médio real habitual também alcançou o maior valor já registrado pela PNAD Contínua: R$ 3.574. O indicador subiu 1,8% no trimestre e 4,5% na comparação anual, já descontada a inflação.
No trimestre, o avanço foi puxado principalmente pelo aumento de 5,4% nos rendimentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas. Em relação a 2024, houve ganhos em cinco setores, com destaque para Agricultura e pecuária (7,3%), Construção (6,7%) e Informação e Comunicação (6,3%).
Para Adriana Beringuy, os recordes de ocupação e renda caminham juntos. “A expansão do trabalho, combinada com o aumento do rendimento real, impulsiona a massa de rendimentos do trabalho e fortalece a economia”, explicou.





