Moradores denunciam ações policiais traumáticas, falta de serviços básicos e pedem dignidade: “Não somos bandidos, somos famílias”

Por Karol Peralta
Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Campo Grande reuniu, nesta quarta-feira (10), moradores do Residencial Athenas II, que denunciaram insegurança, estigmatização e a ausência de políticas públicas efetivas na região da Mata do Jacinto. O encontro, convocado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), expôs relatos emocionados de famílias que pedem direitos básicos e respeito.
Moradores denunciam estigma e violência cotidiana
A reunião abriu espaço para que residentes fossem ouvidos em um ambiente institucional, muitas vezes pela primeira vez. O morador Alisson Pereira, que vive no local há quase 20 anos, relatou o peso do preconceito:
“A gente sofre muito preconceito. Para muitos, tudo de ruim no bairro é culpa do Athenas. As crianças sentem isso, algumas têm vergonha de dizer onde moram”, disse.
Ele ainda destacou o impacto das operações policiais no cotidiano das famílias, especialmente no emocional de crianças e adolescentes, que convivem com medo e tensão.
“Queremos dignidade”: mães descrevem rotina de violações
A moradora Marcela Souza Conceição reforçou a necessidade de ações que levem em conta a existência de crianças, idosos e pessoas com deficiência, que têm sido afetados por abordagens consideradas excessivas.
“Tem gente que trabalha e volta para casa com a porta estourada. A gente só quer dignidade. Não somos bandidos, somos famílias”, afirmou.
Outra moradora, Tainara Aparecida Souza Dias, defendeu o direito à moradia digna, relatando dificuldades no cuidado com o filho autista diante das condições do residencial.
“Nossa comunidade está cansada de ser oprimida. Queremos que o poder público enxergue nossas famílias”, disse.
Câmara discute soluções e questiona tratamento histórico ao Athenas II
Presidente da Comissão de Políticas e Direitos Humanos, a vereadora Luiza Ribeiro citou que o Athenas II enfrenta há anos um processo de criminalização e invisibilidade institucional.
“Essas famílias muitas vezes são tratadas como invasoras e criminalizadas. Trouxemos autoridades para ouvir e dialogar. Cada morador importa”, afirmou.
Participaram do debate representantes da Defensoria Pública, Emha, Guarda Civil Metropolitana, Águas Guariroba, Energisa e Conselho Tutelar, que expuseram entraves para regularização, reassentamento e melhoria dos serviços básicos.
A Defensoria informou que há ação de reintegração de posse em andamento, e que qualquer solução requer planejamento e vontade política. Já a Emha apontou o reassentamento como alternativa mais viável, com cadastro das famílias previsto para a próxima visita técnica.
Encaminhamentos: órgãos públicos farão visita conjunta ao residencial
Como resultado da audiência, foi definida uma visita conjunta de instituições públicas ao Residencial Athenas II para mapear demandas, atualizar dados e construir medidas concretas que garantam segurança, moradia adequada e perspectiva de futuro para as famílias.





