Em entrevista no Ceará, presidente afirma que enfrentamento às facções exige parceria com os Estados Unidos, reforço da Polícia Federal e novo marco constitucional para a segurança pública.

Por Karol Peralta
Durante entrevista à TV Verdes Mares, no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os esforços do Governo Federal para enfrentar o crime organizado passam pelo fortalecimento da Polícia Federal, por ações de inteligência e por maior cooperação com os Estados Unidos. A conversa ocorreu durante a visita presidencial ao estado, onde Lula participou de uma série de entregas e anúncios.
Em diálogo com a emissora, o presidente destacou que o enfrentamento ao narcotráfico e às facções criminosas foi um dos principais temas da chamada telefônica realizada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira (2). Lula afirmou ter defendido uma atuação conjunta.
“Estamos dispostos a trabalhar juntos para combater o crime organizado na fronteira, onde estiver. O crime organizado é um atraso para qualquer sociedade e prejudica a economia e a liberdade das pessoas”, disse.
Desafio global
Lula afirmou que a atuação das facções extrapolou as fronteiras brasileiras e se tornou um problema mundial.
“Hoje, as facções criminosas competem com o Estado. Elas têm drone, inteligência, tecnologias que muitas vezes as forças policiais não têm. Vamos assumir esse combate de corpo e alma”, declarou.
Segurança pública no centro das discussões
O presidente reforçou que o Governo Federal trabalha para fortalecer a Polícia Federal e definir de forma mais clara o papel da União no combate ao crime organizado. Ele lembrou da PEC da Segurança Pública, em discussão no Congresso, que estabelece novas atribuições federais.
“O caminho é esse: estamos fortalecendo a PF. A PEC vai indicar qual será o papel da União no combate à violência criminal no Brasil”, explicou.
Parcerias e investimentos
Com o novo marco constitucional, Lula afirmou que será possível ampliar investimentos, reforçar vigilância em fronteiras e intensificar parcerias internacionais.
“Vamos poder colocar mais recursos na PF, firmar convênios com países vizinhos e usar a inteligência compartilhada para enfrentar facções criminosas e o narcotráfico”, disse.
“O dono é o povo”
Lula defendeu ainda que a ação coordenada busca garantir tranquilidade à população.
“A sociedade precisa estar de bem com a vida. Não pode temer quem se comporta como chefe de bairro ou de vila. O dono de tudo isso é o povo brasileiro, e vamos garantir que ele tenha liberdade.”
Entregas no Ceará
A agenda presidencial no Ceará também incluiu a entrega de 3 mil Carteiras Nacionais Docente do Brasil (CNDB) a professores, a autorização da terceira etapa de obras do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) — investimento de R$ 180 milhões — e o acompanhamento do início da produção de veículos elétricos da GM no país.





