Ação da PF e Receita Federal interditou a Distech e suspendeu atividades de 14 empresas suspeitas de participar de um amplo esquema de contrabando e lavagem de dinheiro

Por Karol Peralta
A Operação Uxoris, deflagrada nesta quarta-feira (3), interditou a loja Distech Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos, em Campo Grande, e revelou um esquema milionário de contrabando, com atuação nacional e uso de empresas de fachada para movimentar mercadorias e recursos de origem ilícita.
A ofensiva policial contra um esquema de contrabando que se expandia de Campo Grande para vários estados do país resultou na interdição da Distech Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos, na manhã desta quarta-feira (3). Equipes da Polícia Federal fixaram o informe de interdição na fachada da empresa, localizada na Avenida Afonso Pena, enquanto a operação também suspendeu as atividades de 14 empresas apontadas como integrantes do grupo criminoso.
Na terça-feira (2), agentes cumpriram mandado de busca em um depósito vinculado à Distech, localizado na Rua Azulão, na Vila Nha Nhá. O galpão abrigava grande volume de mercadorias, como brinquedos, ventiladores, itens de decoração natalina e artigos de bazar — produtos que, segundo as investigações, seriam distribuídos em diversos estados brasileiros por meio de lojas físicas e plataformas de marketplace.
Conforme dados da Receita Federal, a Distech mantém duas filiais em São Paulo: uma no município de Cajamar, considerado um dos principais polos logísticos de distribuição do país, e outra na capital paulista. Já a unidade da Avenida Afonso Pena, aberta em 2021, tem capital social de R$ 20 mil e descrição formal de comércio atacadista de equipamentos de informática.
O sócio-administrador da empresa, Wellington Cruz, afirmou que desconhecia qualquer irregularidade. “Estou fora da cidade. Não estou sabendo de nada, vamos ter que ver com o advogado. Mas o que tenho para dizer é que temos nota fiscal e como comprovar a procedência de tudo”, disse.
As investigações apuram crimes de organização criminosa, lavagem de capitais, contrabando, descaminho e ilícitos financeiros. A apuração começou após a denúncia da ex-esposa do líder do grupo, que relatou o uso indevido de seus documentos pessoais para abertura de empresas de fachada — prática que deu nome à operação, já que jure uxoris significa “em direito de uma esposa”.
Segundo a PF, o grupo atuava na importação fraudulenta de grande quantidade de produtos estrangeiros sem documentação fiscal e sem regularização aduaneira. O pagamento das mercadorias era feito pela técnica conhecida como dólar-cabo, um sistema clandestino de remessas internacionais baseado em compensações financeiras irregulares. Também foram identificados diversos atos de ocultação e dissimulação da origem ilícita dos lucros obtidos.
A Justiça Federal determinou o sequestro de bens e valores de 20 pessoas físicas e jurídicas, somando R$ 40 milhões. A força-tarefa é composta por PF, Receita Federal e Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários).





