Ex-primeira-ministra é considerada culpada por ordenar repressão violenta a protestos estudantis que deixaram mais de 1.400 mortos, segundo a ONU

Por Karol Peralta
A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, foi condenada à morte nesta segunda-feira (17) após ser considerada culpada por crimes contra a humanidade relacionados à repressão violenta de protestos estudantis em 2024, que deixaram cerca de 1.400 mortos, segundo dados da ONU.
Hasina é condenada por ordenar repressão aos protestos estudantis
A ex-premiê Sheikh Hasina, de 78 anos, foi sentenciada à pena de morte pelo Tribunal de Crimes Internacionais de Bangladesh, após meses de julgamento. A corte concluiu que a ex-líder ordenou diretamente que as Forças Armadas atirassem contra manifestantes, caracterizando crime contra a humanidade.
De acordo com o tribunal, “todos os elementos constitutivos” do crime estavam presentes, justificando a condenação máxima. O veredito foi anunciado sob forte esquema de segurança em Daca, capital do país, e na ausência de Hasina, que fugiu para a Índia em agosto de 2024.
A sentença ocorre em um momento delicado para o país, às vésperas das eleições parlamentares previstas para fevereiro de 2025.

Protestos de 2024 foram os mais violentos desde a independência
As manifestações de 2024 começaram como uma reação ao sistema de cotas que reservava um terço das vagas do setor público a parentes de veteranos da guerra de independência. Rapidamente, o movimento ganhou força e se transformou em um pedido de renúncia da premiê, acusada de autoritarismo pela Geração Z, protagonista dos protestos.
Segundo relatório da ONU, cerca de 1.400 pessoas morreram entre julho e agosto de 2024, a maioria atingida por disparos das forças de segurança. Os promotores apresentaram ao tribunal evidências de uma ordem direta de Hasina para o uso de força letal.
A repressão é considerada o episódio mais violento em Bangladesh desde 1971.
Governo de Bangladesh pede extradição da ex-premiê
Após a condenação, o governo interino de Bangladesh solicitou à Índia a extradição de Hasina, que poderá recorrer da sentença na Suprema Corte embora ainda exista incerteza sobre esse direito, já que seu partido, a Liga Awami, foi impedido de participar das eleições.
Hasina governou Bangladesh desde 2009 e era considerada uma das líderes mais influentes da Ásia, responsável por impulsionar a indústria têxtil do país. Porém, ao longo dos anos, seu governo passou a ser marcado por denúncias de repressão política, prisões de opositores e restrições à liberdade de expressão.
Atualmente, o país é comandado por uma administração interina liderada pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, que enfrentou perseguição sob o governo de Hasina.
Hasina reage e diz ser vítima de perseguição política
Em nota, Hasina afirmou que a condenação tem motivação política e que o tribunal violou seu direito à ampla defesa. Ela reconheceu que seu governo “perdeu o controle” durante os protestos, mas negou ter ordenado ataques premeditados.
A ex-premiê declarou ainda que pretende se defender “em um tribunal adequado”, caso condições democráticas sejam restabelecidas.





