Depois de dois meses de queda, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) subiu 5,5% e atingiu 101,9 pontos, indicando retomada gradual da confiança no setor varejista campo-grandense.

Por Karol Peralta
Depois de dois meses consecutivos de queda, a confiança dos empresários do comércio voltou à zona positiva em outubro de 2025. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 101,9 pontos, alta de 5,5% em relação a setembro, o que indica um cenário de otimismo moderado entre os comerciantes campo-grandenses.
Apesar da recuperação, o índice ainda está 10% abaixo do registrado em outubro de 2024, refletindo uma retomada cautelosa após meses de incertezas econômicas.
Segundo o levantamento, os componentes que mais influenciaram o resultado positivo foram o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), com crescimento de 7,3%, e o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que subiu 6,4%. O subitem de contratação de funcionários também teve destaque, com alta de 6,9%, sinalizando maior intenção de ampliar equipes no último trimestre do ano.
Mesmo com os números favoráveis, 82,7% dos entrevistados afirmaram que a situação da economia brasileira piorou, seja “muito” ou “um pouco”. Por outro lado, 45,9% consideram que a situação da própria empresa melhorou, revelando um contraste entre a percepção macroeconômica e a realidade dos negócios locais.
Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira, o resultado é um indicativo de que o comércio começa a reagir com o impulso típico do fim de ano.
“Apesar de o empresariado sul-mato-grossense ainda estar penalizado com a taxa de juros elevada e as incertezas econômicas, esses últimos meses do ano dão novo fôlego e ânimo. Há expectativa com a contratação de temporários, sendo que alguns podem se tornar efetivos. Esse movimento de fim de ano sempre reacende um otimismo”, afirma.
Os dados do ICEC também mostram que o otimismo é semelhante entre empresas de pequeno e grande porte, com médias de 101,7 e 101,9 pontos, respectivamente. Entre os setores, os bens semiduráveis (como vestuário e calçados) apresentaram o melhor desempenho, com 108,4 pontos, enquanto os bens duráveis (como móveis e eletrônicos) ficaram em 98,4 pontos, ainda em recuperação.
As expectativas para os próximos meses seguem elevadas: a economia brasileira alcançou 109,7 pontos, o comércio em geral chegou a 133,5 pontos, e a situação das próprias empresas atingiu 153,5 pontos, o melhor resultado entre os componentes analisados.
Na avaliação do Índice de Investimento (105,3 pontos), o cenário mostra otimismo leve, com empresários demonstrando cautela, mas dispostos a retomar investimentos. Já o nível de estoque é considerado adequado por 58,4% dos comerciantes, indicando equilíbrio entre oferta e demanda.
O levantamento entrevistou 185 empresas de Campo Grande entre os últimos dez dias de setembro de 2025, com margem de erro de 3,5% e nível de confiança de 95%.
Com a chegada do fim de ano e o aumento nas contratações temporárias, o comércio campo-grandense encerra 2025 com expectativas positivas, apostando em vendas aquecidas e recuperação gradual da confiança empresarial.





