Após reunião com Donald Trump na Malásia, presidente brasileiro destaca avanço nas tratativas, respeito mútuo e abertura para todos os temas comerciais

Por Karol Peralta
Um dia após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) estar confiante em uma solução rápida para as tarifas impostas às exportações brasileiras. Lula destacou que o foco das negociações é o futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com ênfase em resultados práticos e equilíbrio nas trocas comerciais.
“Logo, logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil. O que interessa numa mesa de negociação é o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, declarou o presidente, em conversa com jornalistas durante o encerramento de sua agenda no leste asiático.
Respeito e diálogo acima das diferenças
Lula reforçou que as diferenças ideológicas entre os governos não impedem um diálogo construtivo. Segundo ele, a relação entre os países deve ser guiada pelo respeito mútuo e pela democracia.
“Fiz questão de dizer ao presidente Trump que o fato de termos posições ideológicas diferentes não impede que dois chefes de Estado tratem com muito respeito. Ele foi eleito democraticamente, assim como eu”, afirmou.
Próximos passos das negociações
Como desdobramento do encontro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Rosa, e o assessor especial da Presidência, Audo Faleiro, reuniram-se com representantes do comércio e do Tesouro dos EUA.
O objetivo, segundo Rosa, é estabelecer um cronograma de reuniões técnicas para discutir temas prioritários e buscar acordos equilibrados. “Hoje estamos num cenário muito mais positivo do que há alguns dias”, disse o secretário.
Superávit e argumentos comerciais
Lula entregou a Trump um documento com dados comerciais que contestam a tese de déficit dos EUA na balança com o Brasil.
“Mostramos que houve superávit de US$ 410 bilhões para os Estados Unidos em 15 anos. Só em 2023, o saldo positivo foi de US$ 22 bilhões”, afirmou. Segundo o presidente, o Brasil está entre os poucos países do G20 — ao lado de Reino Unido e Austrália — em que os EUA registram superávit comercial.
Sem vetos e com abertura total
Lula também destacou que não há temas proibidos nas tratativas. “Se quiser discutir minerais críticos, etanol ou açúcar, estou disposto. O importante é construir resultados que beneficiem os dois lados”, disse, definindo-se como uma “metamorfose ambulante” na mesa de negociação.
Pluralidade nas relações internacionais
O presidente reafirmou que o Brasil continuará buscando ampliar sua rede de comércio exterior com diferentes blocos e países. “Queremos manter boas relações com China, Estados Unidos e União Europeia. Em dezembro, devemos concluir o acordo Mercosul-União Europeia, além de tratativas com a Indonésia, Malásia e ASEAN. Nosso negócio é fazer negócio”, afirmou.
Possível novo encontro
Lula revelou que um novo encontro com Trump pode acontecer em breve. “Ele disse que quer ir ao Brasil, e eu estou disposto a ir a Washington. Se houver disposição de ambos os lados, faremos um bom acordo entre as duas maiores democracias do Ocidente”, declarou.
Lei Magnitsky e a postura norte-americana
Durante o encontro, Lula também comentou sobre a Lei Magnitsky, usada pelos EUA para aplicar sanções a autoridades estrangeiras. O presidente considerou “injusta” sua aplicação a membros do Supremo Tribunal Federal, afirmando que “houve respeito ao devido processo legal”.
A Casa Branca, por sua vez, publicou uma foto dos dois líderes nas redes sociais, acompanhada da mensagem: “É uma grande honra estar com o presidente brasileiro. Acho que devemos conseguir fechar bons acordos para ambos os países. Sempre tivemos um bom relacionamento — e acho que continuará.”





