Ação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio da PGE e da Sefaz, mira grupo familiar acusado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e blindagem patrimonial em larga escala.

Por Karol Peralta
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta quarta-feira (22) a Operação DNA Fiscal, que tem como alvo uma organização criminosa suspeita de causar prejuízo superior a R$ 779 milhões aos cofres públicos por meio de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e esquemas de blindagem patrimonial.
A operação, conduzida pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), é resultado de uma investigação conjunta com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MS). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado.
De acordo com as apurações, o esquema criminoso era altamente estruturado e operava com três núcleos principais: o gerencial, formado pelos reais administradores que controlavam as empresas de forma oculta; o de interpostos, composto por “laranjas” de baixa renda usados para mascarar os verdadeiros beneficiários; e o financeiro, responsável pela movimentação de grandes quantias em espécie e ocultação patrimonial.
As empresas envolvidas declaravam, mas não recolhiam o ICMS, gerando dívidas fiscais milionárias. Quando o risco de sanções aumentava, os responsáveis transferiam as operações para novas empresas criadas com o mesmo padrão de fraude, mantendo a atividade comercial e o lucro, mas sem quitar os tributos devidos.
Conforme a Polícia Civil, as movimentações financeiras ultrapassavam R$ 1 milhão por mês, com uso de empresas de fachada e holdings patrimoniais. O modelo se repetia ao longo dos anos com sucessões empresariais simuladas, envolvendo parentes próximos, o que inspirou o nome da operação — “DNA Fiscal”, referência à estrutura familiar e à herança dos esquemas de fraude.
Durante a ação, também foram autorizadas quebras de sigilo fiscal, bloqueio de ativos, acesso a dispositivos eletrônicos apreendidos e compartilhamento de provas com órgãos estaduais. As investigações seguem sob sigilo judicial.
A Polícia Civil destacou que a operação reforça o compromisso da instituição com o combate à corrupção, à sonegação de impostos e à proteção do patrimônio público em Mato Grosso do Sul.





