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Arquiteto chinês criador das “cidades-esponja” morre em queda de avião no Pantanal de MS

Kongjian Yu, referência mundial em soluções urbanísticas sustentáveis, estava no Brasil para gravações de documentário quando sofreu acidente aéreo em Aquidauana, no Pantanal sul-mato-grossense.

Por Karol Peralta

Reconhecido mundialmente por desenvolver o conceito de “cidades-esponja”, o arquiteto chinês Kongjian Yu está entre as quatro vítimas fatais da queda de um avião na região da Fazenda Barra Mansa, em Aquidauana, a 141 quilômetros de Campo Grande, no Pantanal sul-mato-grossense. O acidente ocorreu na tarde de terça-feira (23).

Yu estava no Brasil para gravações do documentário Planeta Esponja, que abordaria soluções urbanísticas inovadoras para convivência sustentável com a água.

Trajetória e legado de Kongjian Yu

Doutor pela Universidade de Harvard, Yu era professor da Universidade de Pequim e diretor do escritório de arquitetura paisagística Turenscape, além de consultor do governo chinês. Ele projetou obras em mais de 70 cidades ao redor do mundo, muitas delas premiadas.

Sua proposta de “cidades-esponja” defende a criação de parques, jardins e áreas verdes capazes de absorver o excesso de chuvas, reduzir enchentes, recarregar aquíferos e integrar o ambiente urbano aos recursos hídricos.

Antes de viajar ao Pantanal, Kongjian Yu participou da Bienal do Livro em São Paulo e da conferência internacional do CAU 2025, em Brasília.

Outras vítimas da tragédia

O arquiteto estava acompanhado do cineasta brasileiro Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, indicado ao Emmy Internacional pelo documentário Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia, e do documentarista Rubens Crispim Jr., fundador da produtora Poseídos, que já trabalhou com canais como Discovery Channel, National Geographic e TV Cultura.

Ambos tinham longa trajetória no audiovisual, dirigindo documentários, séries e filmes premiados. O trabalho mais recente de Crispim foi o longa O Bixiga é Nosso!, vencedor de Melhor Filme pelo Público na Mostra Ecofalante 2024.

O quarto ocupante era o piloto e proprietário da aeronave, Marcelo Pereira Barros, de 59 anos, também morto no acidente.

O acidente aéreo

A aeronave, um Cessna Aircraft 175 de 1958, prefixo PT-BAN, caiu em uma das locações usadas para gravações da novela Pantanal. Segundo informações preliminares, há suspeita de que o piloto tenha tentado uma arremetida — manobra em que o pouso é interrompido para subida imediata —, mas a aeronave perdeu altitude e explodiu ao atingir o solo.

Equipes do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) atuam no local, de difícil acesso.

Consultas ao site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelaram que o avião não tinha autorização para operar como táxi aéreo. A aeronave chegou a ser apreendida em 2019, na Operação Ícaro, que investigava suposto transporte clandestino de passageiros. O piloto respondia a processo judicial sobre o caso, mas negava prática recorrente do serviço ilegal.

Impacto global

A morte de Kongjian Yu causa repercussão internacional, já que o arquiteto era considerado uma das principais vozes na busca por soluções sustentáveis diante dos efeitos da urbanização acelerada e das mudanças climáticas. Seu conceito de “cidades-esponja” já vinha sendo adotado em diversos países como alternativa para lidar com enchentes e escassez hídrica.

Ainda não há informações oficiais se o voo no Pantanal era apenas panorâmico ou se fazia parte da captação de imagens para o documentário Planeta Esponja.

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