DRACCO apoia operação nacional contra grupo que incentivava automutilação e ódio entre adolescentes nas redes sociais

Operação Adolescência Segura desmantela organização criminosa virtual que atuava em sete estados brasileiros promovendo automutilação, radicalização e violência entre jovens

Por Karol Peralta

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO/PCMS), participou nesta terça-feira da Operação Adolescência Segura, coordenada nacionalmente pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com apoio do Ministério da Justiça. A ação teve como alvo uma organização criminosa que atuava no ambiente digital, incentivando a automutilação, a disseminação de discursos de ódio e o aliciamento de adolescentes para práticas de violência.

📍 Em Campo Grande (MS), o DRACCO cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, com o suporte técnico de peritos criminais do Núcleo de Computação Forense do Instituto de Criminalística, que iniciaram a análise das provas digitais apreendidas.

A operação aconteceu simultaneamente em sete estados brasileiros — Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás — e resultou na prisão temporária de dois adultos e na internação provisória de sete adolescentes.


Organização criminosa atuava no mundo virtual

De acordo com a investigação, o grupo criminoso utilizava plataformas criptografadas como Discord e Telegram, além de redes sociais, para atrair jovens em situação de vulnerabilidade emocional. Os aliciadores promoviam desafios envolvendo automutilação, crueldade contra animais, incitação ao ódio e até sugestões de ataques violentos, utilizando táticas de manipulação psicológica.

🧠 A dinâmica do grupo incluía a entrega de “recompensas simbólicas” para os adolescentes que se destacavam nas atividades ilícitas, o que reforçava o engajamento nocivo e criava um ciclo de dependência emocional entre os jovens e os criminosos.


Atuação coordenada e integrada

A operação foi articulada pelo Laboratório de Operações Cibernéticas – CIBERLAB, da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI/SENASP/MJSP). O diretor da DIOPI, Dr. Rodney da Silva, destacou a importância da mobilização interestadual:

“Esta operação é fruto de um trabalho integrado, liderado pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio fundamental de diversas Polícias Civis estaduais e do Ministério da Justiça. Atuamos de forma cirúrgica para desarticular uma rede que cooptava jovens para práticas criminosas no ambiente virtual.”


Crimes e penas

Os investigados podem responder por diversos crimes, entre eles:

  • Associação criminosa (Art. 288, CP)
  • Indução ou instigação à automutilação (Art. 122, §4º, CP)
  • Maus-tratos a animais (Art. 32, Lei 9.605/98)

🔒 As penas combinadas podem ultrapassar 10 anos de reclusão.


Proteção à infância no ambiente digital

A Polícia Civil reforça seu compromisso com o combate ao crime organizado digital e com a proteção da infância e adolescência, destacando a importância da fiscalização parental e da educação digital como ferramentas de prevenção.

👨‍👩‍👧 “O ambiente digital precisa ser monitorado com responsabilidade. Essa operação mostra o quanto o crime se adapta às novas tecnologias, e por isso precisamos agir com inteligência, rapidez e cooperação”, concluiu um dos investigadores.

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