Pesquisa aponta aumento da abstinência e crescimento de até 536% na produção de cerveja sem álcool no Brasil

Da Redação
Cerca de 64% dos brasileiros afirmaram não ter consumido bebidas alcoólicas em 2025, segundo pesquisa da Ipsos-Ipec encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025.
O índice representa avanço em relação a 2023, quando 55% declararam não beber. O levantamento indica mudança de comportamento associada a preocupações com saúde e bem-estar.
Entre os mais jovens, a tendência é ainda mais expressiva. A abstinência passou de 46% para 64% entre pessoas de 18 a 24 anos e de 47% para 61% no grupo de 25 a 34 anos.
Mercado de bebidas sem álcool avança

A mudança de hábito tem impacto direto no varejo. O mercado brasileiro de bebidas não alcoólicas, estimado em R$ 137 bilhões, ocupa a sexta posição entre os maiores consumidores globais do segmento.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), no Anuário da Cerveja 2025, apontam crescimento de 536,9% na produção de cerveja sem álcool em 2024. O produto passou a representar 4,9% da produção nacional.
Segundo a consultoria Euromonitor International, o consumo de cervejas sem álcool no Brasil cresceu mais de 200% entre 2020 e 2023, saltando de 197,8 milhões para 649,9 milhões de litros. A expectativa é que o volume se aproxime de 1 bilhão de litros em 2025.
Estudo da NCSolutions indica que 65% dos jovens consumidores pretendem não consumir álcool, priorizando produtos associados a prazer e bem-estar.
Vinhos e espumantes seguem tendência

O segmento de vinhos e espumantes sem álcool também registra avanço. Dados da IWSR mostram aumento de 30% no consumo de vinhos sem álcool no Brasil entre 2020 e 2023, acima da média global de 20%.
Nos dez principais mercados mundiais, incluindo o Brasil, as vendas de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico somaram US$ 11 bilhões em 2022.
Especialistas do setor avaliam que o movimento não é pontual, mas parte de uma mudança estrutural nos hábitos de consumo. A expectativa da indústria é de que o segmento cresça até cinco vezes mais até 2028.





